29 maio 2006

Wake me up at 4


I wonder if it's actually a delicious treat...
and the world will never know
- PostSecret

Quero estar fora de mim por alguns minutos. Andar de skate na muralha da china. Quero me apaixonar perdidamente pela vida e quero ser correspondido. Subir o Empire State de escada e descer de asa delta. Vou te ligar as 4 da manhã e dizer que marquei estúdio pras 4:15. Quero inventar um novo pecado, vou virar padre e me confessar para mim mesmo. Vou jogar xadrez sozinho e comer minhas próprias peças. Quero que alguém me agarre e me beije sem nem sequer pedir. I'm up to see how deep is bunny hole. Vou descobrir com quantos paus se faz uma canoa, e também se não dá pra fazer com menos. Estou cheio de desejos, ultimamente.

Acho que estou grávido.

The trick is you got to realize that you're dreaming in the first
place.
You gotta be able to recognize it, you gotta ask yourself:
- hey
man, is this a dream?

Seems like everyone sleepwalk into their wake state
and wakewalk into their dreams.

- Waking Life

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(Aos que se importam:)
Sim, estou tres bizarre. Meus últimos dias não foram lá dos mais agradáveis (e não devem ter sido pra quem me aturou tb) e estou afim de explodir o mundo só pra ver o que tinha dentro dele.
Se alguém souber a fórmula mágica para tudo dar certo, favor mandar por email =P
Perdão, e muito obrigado.

16 maio 2006

Achei um link interessante e queria dividir.

http://www.postsecret.blogspot.com/

Basicamente, é um blog que exibe fotos de cartões ou mensagens enviadas para um determinado endereço dos EUA. As mensagens são sempre anônimas e contêm um segredo.

05 maio 2006

Escolha simples

Acordou e tomou o café de sempre. Café, torradas e uma banana catarina, bem madura. Era uma manhã muito diferente das outras - domingo. Há tempos ela não via as ruas tão vazias. Até o ar lhe parecia diferente. Abriu a dispensa e alcançou o carrinho, limpando as teias de aranha. Fazia 5 anos que ela não ia à feira.

Na rua, já podia sentir o cheiro dos vegetais e frutas frescas. Vestia um vestido velho e sandália havaianas, bem confortável. De cara, encontrou uma banca cheia de frutas exóticas, possivelmente importadas. Parou por longos minutos, observando os produtos como uma criança descobrindo novos quitutes.

- Mulher bonita não paga, mas também não leva! - disse um feirante a ela, no auge de sua criatividade.


Pediu para experimentar tudo aquilo que nunca havia provado antes. De repente, lhe pareceu que sua boca sentia sabores inéditos, que seu paladar se abrira, como se suas papilas gustativas houvessem adormecido há anos atrás. Tudo parecia ter um gosto nostálgico de novidade. Queria levar TUDO! A pena era o preço.

Já estava na banca há horas. Mecanicamente, buscou o relógio no pulso esquerdo, mas ele não estava lá. Que bom. Saíra sem relógio, sem hora. Sua demissão de seu antigo emprego numa empresa de contabilidade parecia lhe ter comprado um bilhete só deida para a liberdade, e a essa hora, a última coisa que lhe passava pela cabeça era algum tipo de compromisso, bater o ponto, redigir um memorando.

Resolveu continuar andando e passou pela banca das verduras. Folhas verdes e brilhantes lhe lembravam as lindas saladas que foram servidas em sua festa de casamento. Ela havia se divorciado há pouco tempo. Ele pedira que ela estabelecesse prioridades, e ela estabeleceu. O trabalho. Bons tempos aqueles em que estiveram juntos, a salada, as palavras doces, o romantismo.

Ainda de carrinho vazio, procurou algo para levar para o café da manhã seguinte. Tinha dinheiro para pouco. Pensou em levar morangos, mas lembrou que teve alergia da última vez que os comeu. Podia levar uma das frutas exóticas que havia provado, mas, mesmo que todas fossem maravilhosas, nenhuma lhe tinha chamado atenção o suficiente para estabelecer uma favorita. Romã, Kiwi, Lima... Tinha medo de gastar dinheiro em algo que pudesse não gostar. Pensou muito...

No fim da manhã, ela voltou para casa. Largou a chave na mesa da sala, ligou o computador e viu a caixa de mensagens vazia. Sentiu saudades de quanto estava trabalhando. Recebia 20 emails em uma hora, e até que sentia prazer em se sentir útil. Voltou para a cozinha e tirou o pacote de dentro do carrinho de feira. Guardou cuidadosamente na fruteira o que havia comprado: um belo cacho de banana catarina.

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O jeito mais fácil de escolher entre duas coisas que lhe são muito importantes é não escolher.

18 abril 2006

Prefácio para o futuro

Ia ser perfeito. Planejara tudo. Havia comprado duas garrafas de vinho branco de luxo, colocadas na geladeira, ao lado de uma enorme sobremesa. A casa, toda arrumada, parecia ter passado a vida esperando para receber a hóspede daquela noite. A mesa posta, lareira ligada, o jantar de salmão terminando de cozinhar. Pensava onde iria deixar o anel, que estava em uma caixinha violeta de veludo, em cima da mesa do jantar. Onde colocar? Dentro do copo? Ela poderia engasgar. Na sobremesa? E se ela engole?

Esperando, ansioso, passava ao lado do telefone, perto da porta, e nada. Arrumava a gravata de seda toda a hora. Tocou o telefone. Ergueu o fone sorrindo e depois de 5 minutos, desligou. Triste.

O vizinho lhe chamou pois o portão da garagem emperrou e o zelador estava de férias. Ele era síndico. Encostou a porta de casa e pegou o elevador de sua cobertura até a garagem. O vizinho lhe esperava com uma dúzia de desaforos. Foi até o portão, arregaçando as mangas da camisa italiana. O troço nem se mexia. Examinando de perto a correia que movia o mesmo, descobriu que um largo fio havia se enroscado. No mesmo momento, ele pode ouvir alguém tocando a campainha. Ele explica a situação ao vizinho e pede que ele aguarde, pois ele vai receber sua visita.

E era a própria. Linda. Usava uma blusa branca de renda, como que num prefácio para o futuro. Pediu que subisse enquanto consertava o maldito portão, mas antes mesmo de poder se despedir, ouviu um grande estrondo que antecedeu a total queda de luz do prédio inteiro. Correu para a garagem, onde o vizinho estava plantado como uma imensa samambaia luminosa, segurando na mão um fio da largura de seu pulso, que emitia fagulhas brilhantes.

- Eu estava com pressa...


Antes que o pior aconteça, ele vai até o telefone da portaria, para ligar para um eletricista. Ao contrário do portão, o telefone era sem fio. Mudo. De repente, olhando pro lado, viu a porta do elevador se abrir com um rugido metálico. De trás dela, saem 4 jovens, 2 deles segurando garrafas de alguma coisa que não parecia ser refrigerante.

- Olá! Viemos buscar a chave do salão de festas! A dona Miriam deve ter avisado o senhor.


Ele nem lembrava mais disso. Conhecia os garotos, eram os filhos da dona Miriam, vizinha da frente, grande amiga do síndico... de fato, foi ela que lhe apresentou sua futura noiva. Pediu que eles e os amigos fossem buscar a chave no apartamento dele, pois já sabiam onde ele a guardava, na gavetinha do criado mudo, logo no hall!

- E dessa vez, vão de escada. Houve um curto circuito, vai demorar um pouco para voltar a luz.


Nem ouviram. Virando-se, percebeu que não sabia mais onde estava o vizinho apressado. Foi até o lavabo da portaria, para lavar as mãos sujas de graxa. Abriu a torneira e nada. Nem uma gota. Resolveu fazer isso em casa mesmo. Subindo as escadas, encontrou uma mulher de bobs coloridos nos cabelos e máscara facial amarela, com cara de quem viu um fantasma... ou se olhou no espelho.

- Senhor, você é o síndico, não? - e sem esperar resposta, completou - Minha descarga emperrou e não para de vazar! - tinha percebido o motivo da torneira
estar sem pressão.


Foi até o banheiro da moça, correndo, e enxarcando meio palmo suas calças de linho com o vinco que lhe custara 20 minutos para acertar. No meio do atoleiro, conseguiu fechar a válvula de descarga com as mãos. Acertada a descarga, continuou subindo para seu apartamento, com esperança de que conseguisse tomar um banho e trocar de roupa sem que ela percebesse.

Foi no último lance de escadas que ele percebeu um cheiro de queimado. O peixe. Havia esquecido o maldito salmão no forno. Entrou correndo em casa, passando, sem perceber, pelos jovens que, ao invés de buscar a chave do salão de festas, tinham se servido de vinho branco, refrigerante e da majestosa torta que estava na geladeira. Passou a mão na luva de pano e tirou a bandeja com um pedaço de carvão bruto do forno. Seu celular toca.

- ALÔ? ONDE DIABOS VOCÊ SE METEU? PRECISO SAIR DA GARAGEM, ESTOU 4 MINUTOS ATRASADO!


Ao terminar da ultima frase, entram na cozinha a sua futura noiva e a moça de bobs e máscara facial amarela.

- Sabe, como não podia usar o banheiro, pensei que podia usar o seu.


Ficou parado, em silêncio, ouvindo os praguejos do vizinho irado no celular, com as mãos cheias de graxa, os sapatos cobertos com água de privada, cabelos desarrumados, cheirando a peixe queimado e ouvindo os gritos estridentes dos guris que agora brincavam de guerrinha com os pufes da sala.

Quebrando o gelo, ela, de blusa branca e rendada se aproximou dele e beijou-lhe os lábios. Quando se afastou, deixou uma caixinha de veludo violeta na mão que vestia a luva de pano.

- Eu aceito. - disse ela.


E assim que foi. Perfeito.

14 abril 2006

Reforma do Ensino Superior

FACRI
Faculdade de Criminologia

Currículo 1/171 - Curso de Criminologia
Reconhecimento: Decreto nº 666.666/66 (D.O. de 01-04-2006)
Integralização em anos: máximo: não determinado; mínimo: 3

Disciplinas do nível I:
Contabilidade I
Fundamentos da Segurança Pública
Introdução à Criminologia
Introdução ao Furto e Punga
Sociologia I

Disciplinas do nível II:
Arrombamento e Invasão I
Contabilidade II
Fraude e Falsificação
Furto e Punga I
Identificação de Alvos

Disciplinas do nível III:
Arrombamento e Invasão II
Contabilidade III
Furto e Punga II
Introdução ao uso de Armas Brancas
Introdução ao uso de Armas de Fogo

Disciplinas do nível IV:
Golpes e Blefes I
Operações Automotivas
Operações em Grupo
Prática de uso de Armas Brancas
Prática de uso de Armas de Fogo

Disciplinas do nível V:
Chantagem I
Golpes e Blefes II
Legislação em Criminologia
Seqüestro Individual
Técnicas de Transporte: Contrabando e Tráfico

Disciplinas do nível VI:
Chantagem II
Fuga e Camuflagem
Seqüestro em Massa

Disciplinas do nível VII:
Introdução à Política Básica
Trabalho de Conclusão

Observação Currículo 1/171:
- As disciplinas de Política Básica e Política I foram retiradas do currículo devido a censura de órgãos da educação nacional. As disciplinas continuam sendo oferecidas em cursos de pós graduação e especialização da faculdade.
- É permitido apenas 8 estágios concomitentes por semestre.
- É expressamente proibida a utilização dos conhecimentos obtidos nas disciplinas de Fraude e Falsificaçã e Golpes e Blefes para ganhar créditos ou benefícios no curso.