05 dezembro 2007

Espírito de Natal 3

Bêbados, sentamos à mesa e então surgiu a discussão.

A pior parte da cultura brasileira é a tentativa de lhe agregar valor utilizando-se de folclore de outro país. Acontece que lá, isso funciona. Aqui, são outros 500.
Lá, o natal é no inverno. Já cansamos de ver o quanto eles se divertem na neve em filmes de sessão da tarde. Basta passear no shopping para encontrar aquelas enormes árvores de natal cobertas de neve artificial. Por que diabos? POR QUE DIABOS???
Outra hipótese interessante é de que o brasil é miserável porque não temos lareiras. Pensar bem: o papai noel entra pela chaminé, e ainda deixa presentes extras como chocolates, balinhas e outras porcarias caso preguemos uma meia de lã na moldura. Só pode ser por isso que os presentes estão mais escassos: falta de lareiras. Falando do papai noel, muito inteligente dele usar uma barba gigante, touquinha e roupa estofada. Utilíssimo no calor de 40°C à sombra.

Quem sabe um papai noel mais com a cara do país pudesse atrair mais fãs à história infantil? E se ao invés de um trenó com renas, ele fosse caminhoneiro? Cabelo ruim e raspado, regatinha amarela, bermuda azul, chinelo havaianas e um companheiro chamado Bino. Lhe bastaria um Scania voador para entregar os presentes de todas as criancinhas. Entrando pela chaminé? Que esperança! O nosso papai noel arromba a porta da sua casa, deixa os presentes (e o boleto de R$8,99 a ser pago em qualquer agência do Banco do Brasil, referente à taxa de entrega) e sai numa boa.
Já pensaram a alegria das crianças ao ouvir o barulho de freio de caminhão perto de suas casas?


Co-autoria de:
Andréa Mu
Karin Engel
Pedro Palaoro
Pedro Paiva

Data original: 04/04/07

25 novembro 2007

Ovelha Negra

Este post é de ordem meramente informativa e não contém conteúdo artístico senão a mera palavra de quem vos escreve.


Fui no show da Rita Lee hoje. Ouvi comentários de pessoas que já tinham ido dizendo que é um dos shows que não se pode morrer sem ir. Disseram que a mulher em questão fazia espetáculos no palco e que ela realmente mostrava seu talento ao vivo.

Sou fã de Rita há algum tempo, sempre escutei e sempre me agradou muito. O show realmente foi espetacular. Ainda prefiro as canções antigas às novas. Essas últimas estão muito longe do espírito rock and roll que as anteriores possuem. Parece até que a letra foi feita na última hora para se encaixar em uma série de pequenos riffs criados especialmente para virarem a melhor música do mundo dos próximos 5 minutos. Em compensação, Rita levou a platéia ao delírio com clássicos como Ovelha Negra e Lança Perfume.

Ao êxtase dentro das possibilidades. A única coisa que me irritou durante a performance da paulistana foi a platéia em si. Todos os cidadãos britânicamente sentadinhos ouvindo o show como quem escuta uma mp3. O máximo do entusiasmo era sacudir a cabeça, e se você batia palmas, nossa, isso era um pecado. Odeio esse cinismo de platéia que quer fingir uma elegância forçada enquanto todos estão morrendo de vontade de sair dançando. Não tenho nojo das dondocas overdressed ou das patricinhas "meu-cabelo-custa-mais-que-seu-relógio". Tenho pena. Porque eu dancei.

No fim das contas, Rita Lee levantou até Stephen Hawking da cadeira quando tocou suas músicas mais pegadas. Ninguém aguentou ficar sentado muito tempo. Rita wins. Rock and Roll still rocks.


Obrigado a todos por terem a paciência de ler o que acaba de ser meu primeiro post "press-like" neste blog. Sintam-se livres para comentar, opinar, criticar ou mandar o Glauber à merda. PNC.

31 outubro 2007

Não é o que você está pensando

Aqueles filmes são ridículos. Um velho debilitado pelo tempo ou pelas pernas fracas - o que vier primeiro - fica isolado em uma casa os dias inteiros. Sem ter o que fazer, fica observando os vizinhos e acha que todos estão tramando algo de suspeito. Acha que o bobó de camarão que o neto lhe deu de presente estava envenenado e é tudo um plano para obter o legado da família mais cedo que o tempo iria permitir. Ridículos. Nunca vão entender o que é paranóia.


Sou psiquiatra, tenho 38 anos e durante toda a minha vida dependi da observação de detalhes para extrair informações importantes. E no consultório, isso sempre deu certo.


Agora, imagine que um dia, você acorda, olha pro lado e percebe que o travesseiro da sua esposa não está sobre a cama. Em uma fração de segundo, você simplesmente para e mata 3/4 dos seus neurônios úteis tamanho o nervosismo.


Na noite anterior, tínhamos ido a uma festa de gala. Era o lançamento de um livro da esposa do meu melhor amigo. Era filósofa. Eu tinha abusado um pouco demais do coquetel e tinha dito para minha esposa que voltaria para o hotel. Ela, empolgada com a situação, disse que ficaria um pouco a mais, conversando com meu amigo, e depois voltaria.

Bem que achei estranho demais o interesse dela nessa viagem. Ela mal conhecia a esposa do meu amigo. E afinal de contas, por que cargas d'água ela iria querer me acompanhar em uma viagem chata para Três Figueiras? Não tinha nada de interessante lá, passamos as vidas lá e já conhecíamos cada canto da cidade. Todos com quem mantinhamos contato não moram mais lá! Comecei a entender...

Antes de viajarmos, ela me disse que tinha adicionado Carlos no messenger. Achei muito estranho, pois não fui eu que passei a ela o contato dele. E por que diabos ela estaria procurando meu amigo? Bem que eu vi que ela estava demonstrando muita empolgação com aquelas conversas... Bem antes de viajarmos, há precisamente 10 anos, na realidade, casamos brigados com Carlos. Nos dois éramos apaixonados por Sônia, minha atual esposa. Eles continuaram se dando bem, mas nós não nos falamos direito até hoje.


Levantei da cama, mais eriçado que meus cabelos. Liguei para a recepção. Minha esposa não havia deixado recados. Liguei para o celular dela. Chamava, chamava, e não atendia. Uma, duas, quinze vezes. Que tipo de adúltera sai com o melhor amigo alheio e nem sequer dá um sinal de vida? Afinal, quem eles queriam enganar por aqui? Coloquei a primeira roupa que encontrei no armário e saí do hotel.

Abrindo o armário, percebi que na noite anterior ela havia pego seu melhor vestido para a ocasião. Era um vestido vermelho, decotado, que eu mesmo dera pra ela no nosso aniversário de 5 anos de casamento. Como eu não havia percebido isso antes? Bem debaixo do meu nariz. Eu nunca devia ter saído daquele coquetel. Por mais bêbado que estivesse, era melhor eu ter vomitado em pleno salão do que ter deixado a minha esposa com aquele pária.

Cheguei no apartamento dele. Quando eu acabei de bater na campainha dele, meu celular toca. É a atenciosíssima recepcionista do hotel. Me avisou que minha mulher tinha acabado de chegar. Meu amigo não atendia a campainha. Será que ele tinha deixado ela no hotel? Esqueci de perguntar isso para a recepcionista no telefone. Detesto quando eu penso nas coisas tarde demais.


Apressado, entrei no hotel ignorando todos os "bom dia"s dos porteiros, a fila de carros importados que obstruía meu caminho e subi imediatamente ao meu quarto. Para minha surpresa, em cima da mesa, havia uma caixinha de presente e uma carta. A carta dizia:

Amor, feliz aniversário de 10 anos.
Aproveitei que não acordavas pra tentar buscar a surpresa e te entregar antes que eu tivesse de ir trabalhar. Dormias como uma pedra, mas pelo jeito já foi. A camareira deve chegar daqui a pouco com a fronha que mandei lavar. Cheguei ontem da festa e dormi, sujei o travesseiro todo de maquiagem.
Aproveita bem teu presente. É o Mazda preto. O Carlos ajudou a escolher.

Te Amo,

Sônia



Segundos depois, a camareira abre a porta e diz:

Olha só o que quase levei para lavar:
O celular da dona Sônia estava no meio das roupas sujas!

11 setembro 2007

Darwin estava certo II

No reino animal encontramos comportamentos notáveis. Entre os mais interessantes estão alguns animais que reagem de maneira peculiar quando expostos ao perigo.

O baiacu infla.
O gato eriça os pêlos.
A naja se achata.

O tatu-bola se encolhe.
A avestruz se enterra.
O escorpião se mata.

Algumas ovelhas se fingem de mortas.
Abelhas se comunicam e se organizam.
Até onde eu sei, vacas não fazem nada.

E o homem?
Escreve, canta, esculpe, compõe, pinta, fala, dança...

21 agosto 2007

Sunday Secrets

O primeiro passo é admitir que você tem um problema.
Eu tenho um problema.

Eu sou um bosta.