02 abril 2008

A Vida imita a Arte




Um acelerador de partículas construído para desvendar os segredos da construção da matéria e validar os fundamentos da física moderna. Porém, dois cientistas, Walter Wagner e Luis Sancho, alertam os líderes do projeto do risco de que o acelerador acidentalmente abra um pequeno buraco negro que engoliria a terra.

Poderia ser sinopse de um filme não? Estrelando Matt Damon como Walter Wagner e Antonio Banderas como Luis Sancho.
Poderia ser um jogo. Para dois jogadores, onde cada um joga com seu cientista favorito, e sua missão é evitar que a realidade como nós conhecemos seja perdida em um experimento científico.

Poderia, mas é realidade.

Algumas músicas pra mim viraram trilha sonora. Ouço gente dizer que acontece tanta loucura na vida que parece mais um Big Brother. Minhas relações sempre viram novelas mexicanas. Meu chefe usa frases de efeito da Agatha Christie. As frases de um amigo meu parecem bordões de um personagem de série de TV.

Um serial killer ataca a cidade. Todas as vítimas - com antecedentes criminais - foram mortas da mesma maneira. Um tiro certeiro na cabeça e o resto da arma descarregada no corpo do infortunado. Passado algum tempo, o assassino confessa tudo para a polícia, ironicamente. Agora a polícia tenta encontrar provas dos assassinatos para confirmar a história do meliante.

O serial killer tem 16 anos.

Tem um filme sobre um cara que tem um narrador pra vida dele. Tem gente que narra a vida dos outros. Gente, revista, blog e talk shows. Tem dias que a gente escolhe ser coadjuvante. Depois de falar uma frase significativa o bastante, alguém pergunta "isso não é uma música?". Tem poesia no ônibus. Tem tanto livro virando filme que em breve os produtores vão ter que pular pras histórias em quadrinho.

Um ladrão de banco passa indetectado por todos os mais avançados sistemas de segurança existentes. Sua estratégia era extremamente sofisticada. Ele hipnotizava os caixas do banco para lhe darem acesso às gavetas com o dinheiro. Tudo teria dado certo se não fosse por essas 5 crianças e esse maldito cachorro. Scooby doo?

Não, BBC.

Será que a arte imita a vida ou a gente simplesmente vive um baita dramalhão?

11 março 2008

Shampoo

Brilho Extremo
Liss Intense
Reconstituição das escamas capilares com uso de ceramidas
Destaque de cores para cabelos tingidos
Proteína de pérola
Algas marinhas
Extrato de frutas
Leite de cabra
Chocolate
Anti-frizz

Tem shampoo que promete de tudo. Já tem uns 10 anos que eu não vejo uma propaganda de shampoo que promete simplesmente limpar seu cabelo. Parece que depois de um tempo, de tanto se concentrar em perfumaria, esquecemos o propósito da coisa.

10 fevereiro 2008

High on love



<Gloomold> BAH fou
<Gloomold> sabe aquela música do disco novo do weezer
<Gloomold> "we are all on drugs"?
<Gloomold> when you're out with your friend in your new mercedes-benz and you're
<Gloomold> on druuuuugs
<Gloomold> and you put on your headphones and you step into the zone 'cause you're
<Gloomold> ooon druuuuugs
<~Fou> uia
<~Fou> n sei
<~Fou> vou baixar tb
<Gloomold> ausheiaeh, pode baixar, mas é que eu descobri agora
<Gloomold> que a MTV
<Gloomold> fez uma versão
<Gloomold> MUITO TOSCA
<Gloomold> acabei de ver o clipe no youtube
<Gloomold> que eles editaram
<Gloomold> sempre que eles falam
<Gloomold> "on drugs"
<Gloomold> e colocaram
<Gloomold> "in love"
<Gloomold> É RIDÍCULO!
<Gloomold> iuhOIUSAhOIUSAiASHiuAS
<Gloomold> dá até pra perceber as falhas da edição
<~Fou> é BASICAMENTE a mesma coisa after all
<~Fou> tu fica um abobado
<~Fou> qualquer coisa idiota vira algo maravilhoso
<~Fou> tu fica extremamente sensível
<~Fou> mesma coisa.
<~Fou> só que um dos 2 é mais barato.
<~Fou> adivinha qual? :}


Get mIRC:
http://www.mirc.com/get.html
http://www.cyberscript.org/download.php

My server: irc.rizon.org


Get STONED:
YouTube: Weezer - We are all on Drugs
Last.fm: Weezer - We are all on Drugs

Get LAID:
YouTube: Weezer - We are all in Love
Last.fm: Weezer - We are all in Love

05 fevereiro 2008

Tudo vai ficar bem é o caralho.

Estive pensando esses dias: devia ter uma lei proibindo as pessoas de dizer "tudo vai ficar bem". Ou pelo menos deveriam exigir habilitação de quem quiser que disesse isso. Talvez eu pense assim porque sou um pessimista convicto. A coisa mais frustrante pra mim é ver uma TSUNAMI se aproximando e um bunda-mole ao meu lado, sentado em sua cadeirinha de praia, tomando agüinha de côco, dizendo: "tudo vai ficar bem, se não estã bem, é porque não chegou ao fim ainda!".

Me dá vontade de adiantar o fim do retardado. Parece que essa raça - essa sub-classe de humano - ainda não percebeu que as coisas não se ajeitam sozinhas. No fim, as coisas só ficam bem quando alguém trabalhou para que isso acontecesse. As coisas não são tão simples como na química inorgânica, quando tu mistura ácido e base, espera um tempo e depois de alguma borbulhada, tudo vira sal e água, e a harmonia volta a reinar. A partir do momento que o indivíduo está dando o sangue para arrumar a situação, ele tem todo o direito de falar que tudo vai ficar bem.

Exemplo prático:
Tsunami vindo.
A) O bunda-mole sentadinho diz que tudo vai ficar bem. FAIL.
B) O sujeito está quase morrendo de tantas felpas de madeira tem fincadas no corpo enquanto tenta a todo custo improvisar uma barragem usando pauzinhos de guarda-sol. RESPECT.
Esse merece dizer que tudo vai ficar bem, ainda que não fique. Afinal, o cara tentou.

Eu sempre estive na posição do cara que fala que vai ficar bem mas faz algo a respeito. Daí chega uma situação na vida em que se percebe que dadas as dimensões do problema, não há o que fazer. Perdi uma amiga. Tenho a certeza de que nada do que eu disser pra qualquer pessoa que está passando pelo mesmo que eu (ou pior) não vai fazê-la se sentir melhor. Sei disso porque sei que nada do que ME disserem vai adiantar. Queria ter o poder de segurar alguns dos meus amigos e dizer: passa essa tristeza pra mim. É barra, mas prefiro eu segurar que ver eles dessa maneira.

Talvez seja minha inabilidade de lidar com isso, mas não consigo trabalhar na solução pra isso, não dessa vez. Que o mundo me desculpe por me conformar em ser o bunda-mole dessa vez, mas estou fazendo meu melhor. Força...

06 janeiro 2008

Reveiller

- Bem na hora! O leitão acabou de ficar pronto! - abri a porta recebendo Anita que vinha comemorar a virada do ano conosco.

Anita largou seus pertences em um canto, como já estava acostumada, e logo se acomodou na sala, onde comíamos com os pratos no colo, bebendo, ouvindo música e conversando.

- Ah, sim! Anita, esse é o Ricardo, um amigo meu de longa data... - apresentei-o.
- Oi Ricardo!

Ricardo fez questão de levantar-se e cumprimentar Anita calorosamente quando ela chegou. Desta vez, de boca cheia, ele acenou com a cabeça enquanto erguia seu copo em um gesto de brinde.

- Ricardo é mudo, Anita. Desde que o conheci.
- Nossa, mas o que houve? Acidente, voto de silêncio ou algo parecido?
- Olha... Ele não fala muito sobre isso!

Risos. Ricardo riu, inclusive, embora eu também não soubesse a razão dele não falar.

- Vocês se conhecem há quanto tempo? - perguntou Anita enquanto se recuperava da piadinha.
- Não muito, faz uns 2, 3 anos. Ele luta, foi meu professor de aikido.
- Que legal! Mas me explica uma coisa, fiquei curiosa. Como que vocês são amigos assim sem trocar uma palavra? Ele só escuta o que tu tens pra dizer, isso nunca incomodou vocês?

Eu e Ricardo nos olhamos. Ele levantou sinalizando que ia até o banheiro.

- Não... Não sei explicar, na verdade. Com certeza ele me escuta bastante. A gente simplesmente se entende, o Ricardo não precisa falar pra mim saber o que aflige ele. Claro que é difícil, no início eu estranhei muito, mas daí tu conhece ele e vê que ele é um cara gente fina. Às vezes eu até ajudo ele a se expressar, quando ele precisa MESMO falar.
- E ele trabalha com o que? - questionou Anita ainda intrigada pela figura.
- Informática. Daí isso nunca foi problema, se comunica tudo por email mesmo.

Ricardo voltou do banheiro.

- Puxa, admiro a força dele. Conta aí, o que tu já teve que falar por ele?
- Ah, de tudo um pouco. Já liguei pra mãe dele no dia das mães, expliquei pra um cara de uma loja hippie que o gesto que ele estava fazendo significava "me dá dois desses" e não "paz e amor", uma vez até me declarei por ele para uma menina. Ficaram juntos por 1 ano.
- Óó, que bonitinho.

Ricardo olhou para mim fixamente, como se acabasse de ter percebido algo. Não sabia dizer se ele tinha esquecido ou lembrado de algo. Na dúvida, aproveitei pra contar as novidades para Anita.

- O Ricardo tá tocando conosco na banda. - contei para Anita.
- Sério? E o que ele toca?
- Teclado e vocais.

Ricardo ria denovo. Depois, fez gestos tão nítidos que eu podia ouvir ele dizendo "não, só toco teclado mesmo!". Anita terminou seu prato de leitão e já estava se levantando, preparada para repetir.

- Bah Ricardo, mas com teu amigo cozinhando deste jeito, vai ficar todo mundo quietinho por aqui! Vou lá pegar um pouco mais.

Alguns pratos, copos, cigarros e minutos depois, virou o ano. Vimos os fogos, conversamos mais um pouco e Anita foi embora. Pouco tempo depois, Ricardo decidiu ir também. Eu já abria a porta quando senti alguém cutucar meu ombro.

- Que foi, Ricardo?
- Obrigado. - respondeu. Respondeu, e então foi a minha vez de perceber que eu não precisava dizer mais nada naquele momento. E me calei.


Obrigado Ricardos e Anitas.